CADERNOS CAPP

Os Sujeitos da Escola

 

O professor, como sujeito, ao longo da história, tem ocupado um lugar à parte no processo tradicional de ensino, um lugar acima dos alunos.

Esse processo tem trazido uma discussão sobre o sujeito professor na relação com os alunos. Nós professores não somos, nem conseguimos ser, sujeitos neutros, pois temos história, vida, etnia, religião, gênero e cultura, o que nos faz diferente de outros profissionais, e diferentes entre nós mesmos, na condição de professores.

O professor não é alguém pronto, mas alguém que a cada dia aprende a ser no cotidiano de sua vida escolar.

De acordo com a professora Inês Teixeira, em palestra proferida na aula inaugural do CAPP, a educação realiza o segundo nascimento do sujeito, pois ela não o insere num mundo já dado, mas tem a função de inseri-lo na história para que este a problematize, e o professor neste processo deve estar inserido na "nova geração". Esta concepção não diz respeito ao tempo biológico, mas à capacidade do professor de estar continuamente a par das transformações sociais e culturais.

No decorrer da aula inaugural, a professora Inês contempla a necessidade da valorização da auto-estima do professor como essencial na relação de educar, que não deve estar atrelada ao valor do seu salário. Somente assim, o professor será capaz de possibilitar aos alunos a criação do "novo".

É clara a importância dada à História na constituição de nossas identidades: a "memória permite que mudemos a nossa identidade, resgatando a cada dia, o que somos sem nos esquecermos de quem fomos. Essa relação nos permite avaliar sobre as possibilidades de não cometermos mais os mesmos erros".

Na história do aluno na escola, a professora Inês faz um paralelo entre socialização e subjetivação. Sendo a socialização uma a ação para viver em sociedade, a professora enfatiza a subjetivação que é a ação de formar o sujeito social, alguém ator, autor e autônomo.

Durante o curso nós tivemos oportunidade de discutir o "sujeito" em suas diferentes fases.

Algumas palestras enfocaram as fases do desenvolvimento humano: a criança, o jovem e o adulto. Enriquecemos as discussões com leituras de livros, dos quais fizemos resumos, resenhas e debates.

A palestra da Professora Inês Mafra, enfocou que o sujeito criança traz para a escola todo seu universo, fruto de sua relação com a família e seu meio.

A criança traz uma bagagem cultural e espera que a escola lhe dê oportunidades de novas descobertas e lhes ajude a resolver seus conflitos.

Cabe a nós, enquanto educadores, conseguir perceber o sujeito criança, com toda sua peculiaridade de percepção e ação sobre o mundo.

A palestra proferida no CAPP 2000 sobre adolescência, pela Professora Carla enfocou a visão do outro sobre o adolescente. Ele é "carimbado" com "pré" _ conceitos, como rebeldes, alienados, violentos. Muitas vezes, os próprios professores já vão para a sala de aula carregados destes estereótipos.

Os conceitos sobre juventudes, que no decorrer do processo se transformam em preconceitos, são construídos a partir das nossas experiências e pela interferência forte da mídia, e com isto, torna-se muito perigoso a superposição da essência pela aparência.

O sujeito adolescente, principalmente a juventude brasileira, não pode ser generalizada, pois sua diversidade deve-se à classe, à etnia, ao gênero e à região. Não existe juventude, mas juventudes brasileiras, que não podem ser a "lente de aumento" de problemas que envolvem todos nós, como violência e drogas.

O jovem de hoje, principalmente, faz parte da cultura do mundo virtual e globalizado, do prazer. Tratá-los com discursos, frases, teorias, é uma estratégia frágil, um fraco concorrente aos prazeres do mundo pós-moderno. É preciso buscar esses meios, essas metodologias como forma de conseguir chegar até eles, de forma a construir sua formação crítica e consciente sobre os problemas sociais.

Voltando a aula inaugural do curso, finalizamos com o convite da professora Inês Teixeira, para que nós professores, não abandonemos as utopia, ou seja, que sejamos os "arautos da utopia", pois são elas que nos mobilizam e permitem aos alunos a criação do "novo" na linha do tempo da vida social.