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“Belo Horizonte está no caminho certo”.


Nesta entrevista, Maharufa Hossain, coordenadora do Observatório Urbano Global (GUO), explica sobre o funcionamento do GUO e o GUO-Net e fala sobre a importância do Observatório do Milênio de Belo Horizonte e da Rede de Cooperação Local ODM – América Latina & Caribe no monitoramento dos ODM a nível local.

 

1. Fale um pouco sobre o Observatório Urbano Global - GUO

 

O Observatório Urbano Global (GUO) foi oficialmente criado no final dos anos 90, mas desde os anos 80 GUO trabalha junto com UN-HABITAT. O GUO apóia Observatórios Urbanos Locais (LUO), Nacionais (NUO) e Regionais (RUO), em primeiro lugar, estabelecendo-os e, em seguida, orientando-os sobre como monitorar o progresso dos ODM e da Agenda Habitat no âmbito local ou nacional, a fim de monitorar o alcance das metas. O GUO também fornece apoio técnico aos LUO / NUO / RUO na localização de ferramentas Globais (desenvolvidas pela UN-HABITAT) e na assistência aos Observatórios Urbanos para apoiar a política de planejamento local e a plataforma de tomada de decisão. Além disso, o GUO proporciona formação e orientação técnica para utilizar esses instrumentos no nível local e nacional. Até hoje, o GUO forneceu assistência técnica para estabelecer mais de 300 Observatórios Urbanos, que estão ativos ao redor do globo. A maior parte dos Observatórios Urbanos está nos países em desenvolvimento, porque é onde os problemas residem, mas ainda existem Observatórios Urbanos em países desenvolvidos como, por exemplo, no Canadá e na Europa, e também recebemos pedidos da Austrália. A diferença entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos é que países em desenvolvimento querem ver como cumprir as metas, os já desenvolvidos querem ver (sendo que eles já conseguiram a maioria das metas) o que mais eles podem fazer para melhorar e seguir em frente, para o próximo nível, bem como fornecer suporte para os em desenvolvimento, com sua experiência. Para eles, o Observatório Urbano é uma das plataformas que pode ser utilizada para a distribuição sistemática de dados e a compartilhamento de conhecimentos por meio da Rede. O Observatório Urbano Global tem um GUO-Net e todos os membros, que são os Observatórios Urbanos do mundo todo, fazem parte dessa rede. O principal objetivo desta Rede é prestar apoio técnico aos outros Observatórios em diferentes níveis, bem como compartilhar os conhecimentos, as melhores práticas, as lições aprendidas e, ainda, divulgar informações locais por meio deste canal. É importante que todos, em todos os níveis, saibam conscientizar as pessoas sobre o que o Observatório têm feito. Por meio da Rede também estamos planejando o Prêmio Melhores Práticas em Observatórios, que vai demorar pelo menos mais três anos para operacionalizá-lo, mas certamente em 2010 vamos ser capazes de declarar o 1 º Prêmio de Boas Práticas para Observatórios Urbanos na região árabe, financiado pelo Medina Observatório Urbano Local.

 

2. Qual é a importância do Observatório do Milênio de Belo Horizonte?

Para o meu entendimento, Belo Horizonte está no caminho certo. É o passo certo para iniciar o Observatório Urbano, os dados estão disponíveis de maneira sistemática, foram analisados por indicadores e estão em consonância com os ODM para a análise e ela está pronta para usar as informações para o planejamento da cidade. Seria melhor para o Observatório se vocês pudessem ter o seu próprio processo de coleta de dados, de modo que não tem que depender dos dados do Censo, que é a cada 10 anos. Você pode fazer o que nós chamamos de "piggy-bagging", você pode ter o apoio das pesquisas (são várias pesquisas em curso), envolvê-las no processo e incorporar questões que são importantes para vocês, a fim de coletar informações e analisar os dados de acordo com os indicadores. Penso que esta é a melhor maneira de fazê-lo, ao lado dos dados do Censo, porque o que vimos é que vocês usam os dados do Censo em seu Relatório, que é muito confiável e estável, mas a única limitação é o tempo, o ciclo de 10 anos para a coleta de dados. Se você tem que planejar para uma cidade ou metrópole atualização de informação é crucial, se os dados não são atualizados ou recentes, então não é tão fácil para o planejamento, porque o planejamento é feito com informações recentes. A função principal do Observatório é o de disseminar as informações para o decisor político ou planejador (Prefeitura), para uma melhor tomada de decisão para o cidadão (baseado em fatos); o Observatório está em uma plataforma de agentes, envolvendo pessoas da sociedade civil, diferentes departamentos, universidades, setor privado, que é a melhor plataforma para atingir o objetivo, pela validação dos dados e transferência de dados para o conhecimento sobre urbanização sustentável. Foi muito importante para Belo Horizonte dispor de um Observatório Urbano para facilitar o processo de planejamento.

 

3. Como que a Rede de Cooperação Local ODM – América Latina & Caribe pode ajudar no monitoramento dos ODM a nível local?

Quando nos referimos à  Rede ODM, que é para a América Latina e Caribe, é geral para toda a região, por isso é importante seguir o mesmo padrão de informação e análise de dados. Assim, para os ODM em nível local é possível ver e analisar, e comparar com outros países da região. Então como é que vai beneficiar Belo Horizonte, na realização dos ODM a nível local? Seus objetivos serão mais específicos. Quando nos referimos à região, é mais geral e alcançar a meta a nível local é mais fácil do que a uma escala mais ampla, é assim que acredito que a Rede ODM – América Latina & Caribe pode ajudar a controlar os ODM a nível local. Em Belo Horizonte, a Rede pode localizar os ODM em diferentes áreas locais, de acordo com o seu contexto e, em seguida, ajudar a acompanhar e verificar o progresso, que é algo que eu acho que vocês já têm feito no Projeto Localizando ODM.



 

 

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