APRESENTAÇÃO/JUSTIFICATIVA
  ASPECTOS GLOBAIS SOBRE O ENVELHECIMENTO
  Desde o início deste século, a humanidade está passando por um processo de mudança populacional conhecido como "transição demográfica", ou seja, as diferentes sociedades inseridas no chamado mundo civilizado estão deixando de ser sociedades em que predominam populações jovens e maduras para se transformar em sociedades cada mais envelhecidas.
Em outras palavras, sociedades que apresentavam altos índices de natalidade e de fecundidade (nº médio de filhos tidos por mulheres férteis numa população) sofreram uma diminuição sensível de tais índices, passando em contrapartida a exibir menores índices de mortalidade, notadamente nas camadas mais idosas.
Este processo resulta num aumento extraordinário da expectativa de vida ao nascer (nº de anos que os indivíduos de uma sociedade podem esperar viver quando do seu nascimento), contribuindo para elevar a proporção de idosos em escala crescente.
Dentro deste quadro, deve-se salientar que o avanço científico e tecnológico dessas sociedades promovem, em relação à saúde, a prevenção e tratamento de doenças antes fatais e este é também um fator relevante para o fenômeno acima citado.
Para se ter uma idéia da grandeza desse processo, o Brasil, em 1950, era o 16º país do mundo em população idosa, em 1990 avançamos para o 10º lugar e estima-se, para 2025, que chegaremos ao 6º lugar com a assombrosa quantidade de 34 milhões de idosos (contra os 14 milhões previstos para o ano 2000).
Obs.: Segundo dados cedidos pelo IBGE no censo de 2000, a população brasileira é de 169.799.170 habitantes, dos quais 14.536.029 são idosos acima de 60 anos, o que confirma a previsão anterior.
Decididamente, deixamos de ser um "país jovem" para sermos um país em processo acelerado de envelhecimento da sua população.
Se por um lado viver mais tempo é um fator positivo, são certamente preocupantes as suas conseqüências, porque a extensão do tempo de vida demanda uma profunda reestruturação social para atender às necessidades desta nova estratificação demográfica.
  ASPECTOS GERAIS SOBRE O ENVELHECIMENTO NO MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE.
 

São Vicente, cidade litorânea do Estado de São Paulo, apresenta segundo dados estimados pelo IBGE, no Censo 2000, uma população de 303.551 habitantes, e o contingente populacional idoso acima de 60 anos é de 25.865 habitantes (8,52%), sendo que desse total cerca de 50 não estão incluídos em nenhum tipo de atendimento (dados do SEDAM/DEPASE).
Por ser estância balnearia próxima a grandes centros industriais e de serviços, favorece a migração de aposentados desses locais para esta cidade, fator que também contribui para o crescimento de sua população idosa.
Segundo dados do INSS (março/96), a população de São Vicente tem 21.000 aposentados e pensionistas, sendo que 85% recebem cerca de 01 (um) salário mínimo, e apenas 15% mais do que 03 salários mínimos, e apenas 15% mais do que 03 salários, renda mensal insuficiente para a manutenção básica destes beneficiários, e o Benefício de Prestação Continuada atendeu 34,72% da população solicitante (acima de 67 anos), no período de 07/98 a 03/99.
Na expectativa de suprir estas lacunas, algumas trabalham em artesanatos ou "bicos", sendo que o mercado de trabalho não oferece alternativas a esta população.
Muitos não tem moradia própria ou não conseguem manter os bens adquiridos, a menos que contem com o auxílio de familiares, que muitas vezes se omitem ou por falta de condições materiais ou por rejeição e abandono de seus idosos. As instituições privadas ou filantrópicas por sua vez, não têm estrutura para atender a esta demanda.
Constata-se que uma minoria tem acesso a a programas culturais, educativos ou de lazer, visto ser recentemente a criação de atividades voltadas ao idoso, e geralmente não são gratuitas.
O Envelhecimento que deveria acontecer naturalmente, como mais uma etapa do desenvolvimento humano, representa para muitos, sinônimo de inutilidade, rejeição, solidão e ausência de perspectivas.

Os projetos sociais para a 3ª Idade, gerenciados por órgãos públicos, por sua vez são relativamente recentes e ainda insuficientes para tender às necessidades desse movimento acelerado de "envelhecimento populacional", daí a prioridade de se investir em recursos que contribuam na implantação e ampliação destes projetos (Centros de Convivência, serviços de saúde, culturais, moradia, lazer, etc.), visando a melhoria da qualidade de vida do idoso, em todos os seus aspectos.
Desta forma se garante o cumprimento da Lei 8842 (04.01.94), referente a Política Nacional do Idoso, regulamentada pelo Decreto 1948 (03.07.96, que dimenciona as principais diretrizes governamentais das Políticas Públicas, responsabilizando a família, o estado e a sociedade em geral por ações que assegurem aos idosos as condições necessárias ao pleno exercício de sua cidadania.
Os Centros de Convivência dentre outros projetos previstos nesta Lei, se enquadram na modalidade de atendimento não asilar, na competência da Área de Assistência Social, através de seus órgãos, sendo definidos como "locais destinados à permanência diurna do idoso, onde são desenvolvidas atividades físicas, laborativas, recreativas, culturais, associativas e de educação para a cidadania".
Neste processo é muito importante o envolvimento, não somente da área governamental, mas da sociedade como um todo, através de parcerias com organizações não governamentais (ONGS), e outras entidades que se preocupem em proporcionar ao idoso sua valorização enquanto ser individual e social.

 

 
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