Tese de Doutorado - Estado, Mercado e Redes
Transnacionais na Constituição da "Sociedade da Informação": um
estudo sobre os princípios norteadores das políticas para a infra estrutura de
informação
Juliana do Couto Bemfica
PALAVRAS-CHAVE
Sociedade
da informação – Infra-estrutura de informação – Sociedade mercadorizada
– Regime internacional de comunicação e informação – Estado neoliberal
RESUMO
O trabalho discute a origem e a disseminação, ao longo da década de 1990, de
iniciativas voltadas para a constituição da ‘sociedade da informação’
global, enfocando, especificamente, proposições apresentadas pelos Estados
Unidos (EEUU) e pela União Européia. Tem-se, como hipótese, que tais
iniciativas são integrantes de um processo voltado para a internacionalização
da economia e para a generalização de relações de consumo a âmbitos
anteriormente não mercantis. Essas iniciativas são consideradas como uma
modalidade de política de comunicação e informação que, tendo suas
diretrizes estabelecidas em instâncias internacionais, objetiva garantir a
instalação de uma plataforma tecnológica capaz de viabilizar uma economia
livre dos óbices das fronteiras territoriais, plataforma essa necessária para
atender aos setores econômicos hegemônicos. A perspectiva adotada inscreve os
programas de ‘sociedade da informação’ como parte da ideologia neoliberal
e do pensamento único, orientadas para promover – tecnologicamente – o
aprofundamento dos processos de internacionalização da economia e de
generalização do consumo, sob a hegemonia dos EEUU. O referencial teórico
adotado, além de levar em conta as perspectivas que abordam as tecnologias de
informação e comunicação no seu relacionamento com a mudança social, inclui
a questão da globalização e da ‘sociedade de consumidores’, em conexão
com a ideologia neoliberal e com o advento dos regimes de governança
internacionais. Ao final, destaca-se a presença, nos documentos, de um discurso
ideológico vinculado às ‘idéias da sociedade da informação’, formuladas
na década de 1970, e ao ‘pensamento único’, forjado na década de 1980. Os
aspectos enfocados são: a primazia dos princípios de mercado, a centralidade
da dimensão internacional e a privatização do espaço público. Esta é
observada a partir das atribuições do setor governamental decorrentes do
‘novo’ papel do Estado. Discorre-se, também, sobre as mudanças que levaram
a autopista de informação de fins da década de 1980 a transformar-se na
tecnologia internet. Na sua conclusão, fornecem-se evidências que confirmam a
hipótese de que as iniciativas de sociedade da informação destinam-se ao
aprofundamento do processo de mercadorização da sociedade, à constituição
dos consumidores e à sedimentação de um quadro de internacionalização
assimetricamente interdependente."