Redes Sociotécnicas: Espaço de Inter-Relação entre a Cognição e a Comunicação
Carlos M. Camargos Mendonça e Maria Céres Pimenta Spínola Castro
PALAVRAS-CHAVE
Cognição - Subjetividade - Educação
RESUMO
Este artigo pretende discutir a inter-relação entre os novos processos comunicacionais, mediado por tecnologias como as redes telemáticas, a subjetividade e a cognição. Para tal. tomamos de empréstimo a noção de subjetividade cunhada por Féliz Guattari e os princípios expostos por Pierre Lévy sobre a relação medium e memória. Apontamos, aqui, a necessidade que a informática pública tem no sentido de elaborar políticas que garantam às classes populares o acesso às redes sociotécnicas.
"Seja nas mentes, através dos processos mnemoténicos, no bronze ou na argila, pela arte do ferreiro ou do oleiro, seja sobre o papiro do escriba ou pergaminho do copistas, as inscrições de todos os tempos - e em primeiro lugar a própria escrita - desempenham um papel de travas de irreversibilidade.
Obrigam o tempo a passar em apenas um sentido; produzem história, ou melhor, várias histórias com ritmos diversos. Uma organização social pode ser considerada como um dispositivo gigantesco servindo para reter formas, para selecionar e acumular as novidades, contanto que nesta organização sejam incluídas todas as técnicas e todas as conexões com o ecossistema físico-biológico que a fazem viver. As sociedades, estas enormes máquinas heteróclitas e desreguladas(estradas, cidades, ateliês, escritas, escolas, línguas, organizações políticas, multidões no trabalho ou nas ruas...), secretam, com sua assinatura singular, certos arranjos especiais de continuidades e velocidades, um entrelace de história"(LÉVY,1993,76).